sábado, 19 de janeiro de 2008

Das Definições

Às vezes acho que não tenho talento senão para contemplar.

Cada um tem suas próprias considerações sobre o tempo. O tempo tudo cura, o tempo transforma, o tempo apaga as feridas, o tempo isso, o tempo aquilo. Eu não sou nada de especial, então por que comigo seria diferente?

Eu também tenho. Mas nunca fechei com nenhum desses que citei acima. Mais do que tudo isso que se vincula ao tempo, a mim, o tempo conforma. E se engana quem pensa que eu acho isso ruim. Graças a isso, tudo o que eu achava estranho, inaceitável ou condenável, a cada minuto que passa se funde mais a mim e parece dizer "Ei, eu sou você. Pare de achar algo errado com isso." No fim, eu sempre me senti culpada por toda essa minha incapacidade pra viver. É como se eu tivesse simplesmente acordado um dia vendo tudo tão esmagadoramente grande, com tanto, tanto, tanto ao meu redor, para ser contemplado, visto, revisto, observado, onde tudo é tão desconcertante, onde as paisagens me arrancam tão facilmente de mim mesma, que como poderia viver? Como poderia eu viver, se a vida está pra mim para ser admirada?

A beleza me desnorteia, e quando penso em momentos de verdadeira beleza, são aqueles onde estou sozinha, comigo, dentro de uma paisagem. Nesses momentos não sou eu, mas ao mesmo tempo são tudo o que sou.

Eu já tentei andar às voltas com aquilo que chamam normalidade. Já tentei me convencer que havia diferença entre o que eu estava sendo, e o que eu era ou viria a ser. Mas essa é a única constante em minha vida. Em Mago, um dia você acorda e Desperta. Eu, eu nunca dormi. Dito isso, não fica tão estranho dizer que nunca tive sonhos.

Sem maiores explicações, não pretendo fazer firula em torno disso. Se você sentiu vergolha alheia, posta aí.

4 comentários:

Daniel Bastos disse...

Meu maior talento é a capacidade de não tê-lo.

Lucia disse...

Sabe aquela coisa de ir se adaptando em razão da sobrevivência? Aquela teoria darwiniana, só que condensada no curto tempo de uma só vida. Sou assim. E tenho fases. Fases de me adaptar de um jeito incosciente, puro reflexo de luta pela sobrevivência que existe em todo organismo. Tenho fases de procurar me adaptar conscientemente. E fases de me perguntar: me adaptar pra quê? Vale a pena?

As fases ainda se alternam, mas de um modo geral o tempo também tem me conformado. Me formado.

Instinto?

E acho que também sou aquela que nunca dormiu. E acabou por se esconder atrás de um véu de ilusões na esperança de que assim a vida seria mais suportável.

Aquela que finge que dorme.

E finge tanto, que talvez um dia chegue a dormir de verdade... mesmo que não queira.

Lucia disse...

Engraçado... outra pessoa, hoje mesmo, deixou dois depoimentos pra mim e disse que não teve problema... vc teve azar então...
Muuuuito obrigada pela pesquisa que você fez pra mim! Mas sabe que estou preocupada é com a estadia em Búzios? Ou você acha que daria pra gente passar só um dia aí e fazer todo o roteiro que você programou, deixando as malas no Rio mesmo pra voltar pra lá mais tarde? Perigoso voltar tarde não??
Vou ligar hoje pro hotel, e dá uma olhadinha em algum hotel de Búzios pra mim... E ah, só não podemos passar na feira, a mãe do sujeito que te falei trabalha lá... =/

Lucia disse...

Ei Paulinha, eu de novo!
Como você está?

A despeito do seu inigualável "talento para contemplar", deixei no blog um pequeno selo em homenagem às coisas que você escreve e que eu simplesmente adoro ler! Passe por lá depois!

Beijos

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Fuça aew, lesk