quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Segunda-feira passada

Esses dias tive um encontro com uma conhecida da minha mãe, cujo sorriso amarelo me fez ficar rindo sozinha a semana inteira.

-Eu te conheço, não?
-É, eu estudei com a Sol [a filha da mulher] no primeiro e no segundo ano.
-Ah, eu sabia! A Sol tá como DJ efetiva lá no Fishbone! Você deveria aparecer por lá, ela adora encontrar os amigos. =)
-Não somos amigas. =)

Sei que já tive momentos melhores, mas ah, o sorriso sem graça da mulher. O-sorriso-sem-graça-da-mulher! Eu me divirto incrivelmente com essas tentativas forçadas da pessoa de recobrar o tom da conversa, de seguir como se você não tivesse acabado de falar algo que a deixou chocada, ou senão puta. De continuar mantendo a conversa logo após ser surpreendida dentro do que ela entende como "normalidade", ou polidez, ou etiqueta, ou qualquer porra dessas. Você dá uma puxadinha de nada no tapete embaixo do que ela espera ouvir, e ela começa a ruir bem na sua frente. Perde o equilíbrio.

O engraçado é que a pessoa, a partir do momento que você manda uma dessas, se sente na obrigação de tocar a conversa, vasculha na cabeça pra achar "como faz" agora. Ao invés de simplesmente chegar e "Porra, por que tu não gosta da minha filha?", coisa que poderia acrescentá-la em algumas informações que ela provavelmente não tem acesso sobre a filha e eu tenho, mas enfim, coisa que ela provavelmente TEM vontade de me perguntar, mas que a "educação" não permite, mesmo quando não há mais nenhum sinal dessa mesma educação, ela ainda não pergunta. Ela acha afrontoso - ainda mais com mais gente na mesa - que eu diga que não sou amiga da filha dela, eu vejo isso nos olhos dela. Mas ela nunca irá abrir mão da etiqueta, da boa convivência. Ah, não, senhores, isso nunca. Ela se vê obrigada a continuar a conversa, limpar a poeira, lutar pra tocar o papo em frente, com aquela cara de tacho, meio arregalada, abrir um sorriso e emendar um "mas então", "você precisa ver esse projeto da Lapa Itinerante, tá cheio de bons artistas!" - Ah, é fantástico.

Poderia bancar a revoltadinha e dizer que a humanidade tá perdida, dar uma de "agora me diz, pra quê manter as aparências?", que "o importante é ser você". Mas não sou paladina das sinceridades, nunca fui nem pretendo ser. Deixo isso praquela baiana pseudo-punk esquisita que canta mal pra caralho e que faz um sucesso danado, coisa que aliás eu nunca entendi. Não falo quem é pra não dar processo. QUAL É A CANTORA, LOMBARDE?

8 comentários:

Daniel Bastos disse...

Claudia LeiTTe?
=B

Sandro disse...

Soltar uma dessas na cara da mulher só pra ver ela sambar e continuar o assunto foi sádico, mas excelente! 8D

Pedro disse...

Bastos cismou com aqueles dois Ts no nome da mulher, que coisa.

Exercitar a grosseria é sempre divertido. =)

marcelo disse...

Ivete Sangalo?

koni-kun disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
koni-kun disse...

hauheuhuaehaeuhaeu perde o salto, mas não perde a pose.

Já dizia uma tia-avó minha... "A gente come codorna, mas arrota faisão."

Duda disse...

hahaha, muito boa. imagino a cara de tacho da mulher. :D

gostei do post ;*

Rita Kramer disse...

Pitty. Também odeio, beijos.

Mas que GENIAL você! Quando terei coragem de fazer algo assim? NUNCA.

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paula.groff@gmail.com

Fuça aew, lesk