sexta-feira, 14 de março de 2008

AB Stretch

É possível comparar o amadurecimento com toda a vez que se que se quebra um ponto do corpo humano. Não digo braços e pernas e ossos e costelas, falo de formação de músculos. Estarei sendo redundante, quem sabe, mas acho válida a explicação, por exemplo, do que consiste uma abdominal. É o exemplo perfeito. Para obter o efeito desejado, crescer, implica tomar porradas de verdade. Pesos de verdade. Quantidades de verdades de verdade. Estou passando por isso.

A dificuldade aumenta gradativamente conforme o preparo adquirido. O processo segue um padrão: primeiro, quebra-se o lugar. Conforme o lugar não suporta mais a quebra, a gordura que havia ali, disforme, mole, imprecisa, vê-se obrigada a reagir. E é contra a vontade que ela reage. Muitas vezes o corpo se tranca. Muitas vezes tudo o que ele quer é que essa quebra, esse abalo, pare. Mas as quebras se sucedem. As porradas se acumulam. E é aí que fica a parte mágica. Todos sabemos que é quando a gordura não agüenta mais que ela se transforma. É quando a massa disforme se livra de toda a sobra, quando fica com só o que há de mais importante, que surge uma forma definida, forte, resoluta, admirável: o músculo.

Mas falava da parte mágica, não da óbvia.

A parte mágica, pra mim, é saber QUANDO É que esse músculo se forma. Ele não se forma no ato, ele não se define no meio do suadouro.

Todo músculo só se forma durante o repouso.

O esforço tem um papel fundamental, mas somente a pausa é capaz de reorganizar e efetivamente fazer algo com tudo o que sofreu. O esforço e a falta dele andam de mãos dadas e um tem tanta importância quanto o outro. Uma pessoa que não se exercita de nenhuma forma não pode esperar que seu corpo melhore durante o repouso. Um atleta que malha demais e não dá o descanso que o corpo precisa sofre de um processo chamado canibalismo, onde o músculo começa a comer a si mesmo.

O mesmo vale para o amadurecimento. O crescimento pessoal se encontra equilibrado exatamente no ponto entre a preguiça e a ambição desmedida. Não se pode viver dentro da própria cabeça o tempo todo sem ficar maluco, assim como não se pode esperar nada de uma existência que não passa de atos irrefletidos.

Hoje, parece que fiz 1000 abdominais. Quero colo. Quero descanso. Sinto minha mente desesperada pra frear, ao mesmo tempo que uma idéia se alinha na frente da outra. Chega. Por favor, chega. Quero dormir com as idéias e acordar nova, não perder o sono com elas e vê-las trucidarem-nas umas às outras.

Tio, onde é que desliga?

4 comentários:

Rita Kramer disse...

O mesmo vale para o amadurecimento. O crescimento pessoal se encontra equilibrado exatamente no ponto entre a preguiça e a ambição desmedida. Não se pode viver dentro da própria cabeça o tempo todo sem ficar maluco, assim como não se pode esperar nada de uma existência que não passa de atos irrefletidos.





Pelo amor de Deus! Alguém me mate que quero reencarnar em Paula Groff. Putaqueopariu.

Clarissa S. Crisóstomo disse...

Faço minhas as palavras de Rita.

Meo deoos!

Catavento disse...

Nada pessoal, mas eu não...
Desejar isso implicaria na acomodação em perder minha habilidade de mijar em pé confortavelmente.

O que eu desejo é poder descansar, também...Poder ir deitar e parar de sentir meu cérebro degladiando contra a própria incapacidade de desligar. O que é algo deveras incômodo e babaca.

Meu cérebro parece negar a existência de um outro mundo lá fora, e teima em viajar em hipóteses.

Ou esse seria eu?

Daniel Bastos disse...

Eu que o diga.

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paula.groff@gmail.com

Fuça aew, lesk