domingo, 23 de março de 2008

Das Síndromes

Cunhamos um termo recentemente, eu e minha mãe. Não sei se interessará a vocês, até porque é pra traduzir um comportamento bem particular, mas para o qual nunca tinha achado definição que me satisfizesse, mas não importa.

"Anti-social" era um troço extremo e radical demais, e que embora me servisse até certo ponto, não bastava. Mesmo que fosse útil pra explicar porque eu não confraternizo com pessoas no nível que elas gostariam/acham que deveria confraternizar com elas, ou pra justificar porque minha satisfação nas caminhadas, promenades (puta termo babaca) e andanças pela cidade é quadruplicada se eu não tiver que ficar conversando com alguém, e puder ficar sossegada ruminando meus pensamentos, não me adequava. Não me adequava porque sinto sim prazer em conviver com pessoas, ainda que esporadicamente, e embora meus esportes e jogos de videogame quase sempre sejam pra um jogador só, ainda assim posso eventualmente me divertir num boliche com mais dez pessoas ou participar com prazer de atividades de grupo. E se eu fosse realmente "anti-social", não ia gostar tanto de andar de ônibus ou de fazer chats na internet. É, porque não é porque há uma tela me separando, que quer dizer que deixou de ser gente e a maior prova disso é que nem a distância nem a tal tela separando conseguem te proteger da burrice, maior indicador da raça humana. A burrice escorre pelas frestas e dribla todas essas barreiras provando que sim, há gente do outro lado.

O que não me faz pensar que não há gente boa e interessante no mundo. E pensando isso, cai por terra esse lance de ser anti-social. Não é que eu não goste de gente, não é que eu abri com o mundo. Eu não gosto é de gente burra.

Então sofro de outra coisa. Lá vai:

TIM-MAIANISMO: Da pessoa com flutuações de humor e de grau de tolerância à outras. Tendência à aleatoriedade e mudanças imprevisíveis de volume do saco, imprevisíveis inclusive para ela mesma. Também pode ser chamada de Síndrome de Tim Maia. Pode ou não ser alterada pelo uso de álcool e outras substâncias, que amenizam ou podem agravar o caso, mas que não mudam o quadro geral. Cura apenas pelo extermínio mas, se descoberta cedo, o indivíduo poderá viver uma vida plena e feliz. Esquisita, mas feliz. Atitudes de uma pessoa acometida pelo tim-maianismo normalmente são descritas por indivíduos próximos e conhecidos como "Ah, é o fulano". Pessoas com tendência ao tim-maianismo têm o costume de agendar eventos, seja em outros lugares ou em sua própria casa, para logo em seguida ou nos dias que se aproximam ao evento, sentirem um desejo inexplicável por escape, e também arrependimento e desespero. Vontade de desmarcar. Exemplos claros dos portadores da síndrome ofereceram-se para a análise e pesquisa do caso, mas infelizmente ligaram desmarcando por motivo de forças maiores, o que nos impede de um maior detalhamento do desvio no momento. Não há registros históricos conhecidos de casos de tim-maianismo, mas seu paciente mais conhecido e responsável pelo batismo do nome foi o cantor e compositor Tim Maia, famoso igualmente por suas performances no palco, como por seus repentinos surtos e cancelamentos de shows.


Em suma, somos o velho caso do "não é você, sou eu".


ATUALIZAÇÃO:
"Eu tenho vários surtos de sociabilidade e às vezes faço amizade com umas vinte pessoas de uma vez só e elas passam a me adorar, etc. Fico falando que nem uma idiota que não tem amor a seu cérebro e as pessoas às vezes riem, acham graça e tal.
Um dia depois eu olho para aquelas mesmas pessoas e não tenho a menor vontade de falar com elas e tenho pânico delas, como dos semi-conhecidos."


Faço dos eventos da Ritinha os meus. Impressionante! :O

6 comentários:

martw_999 disse...

o.ô Eu vou até Búzios te dar um soco.
Sobre ser anti-social, eu vou te arrastar para a Suécia, pois estou quase a ponto de pegar uma arma e sair atirando nas pessoas nojendas que tem nessa cidade ù.ú
Acho que as coisas serão melhores :]
E seu filho poderá ter aquele nome sem as pessoas ficarem perguntando o porquê ou o que significa. o/

Rita Kramer disse...

Cada post melhor que o outro e eu tendo orgasmos intelectuais aqui!

Paula, eu sofro de tim-maianismo!!

Mas é diferente comigo:
Eu tenho vários surtos de sociabilidade e às vezes faço amizade com umas vinte pessoas de uma vez só e elas passam a me adorar, etc. Fico falando que nem uma idiota que não tem amor a seu cérebro e as pessoas às vezes riem, acham graça e tal.
Um dia depois eu olho para aquelas mesmas pessoas e não tenho a menor vontade de falar com elas e tenho pânico dela, como dos semi-conhecidos.
Com os amigos íntimos é um pouco diferente, mas após algum tempo de convivência constante eu fico meio enjoada da pessoa e preciso de uns dias pra sentir a falta dela.

Outro sintoma belamente descrito é o seguinte:

**** Pessoas com tendência ao tim-maianismo têm o costume de agendar eventos, seja em outros lugares ou em sua própria casa, para logo em seguida ou nos dias que se aproximam ao evento, sentirem um desejo inexplicável por escape, e também arrependimento e desespero. Vontade de desmarcar.****


Maktub. Tínhamos que nos conhecer.

Clarissa S. Crisóstomo disse...

Acho que também sofro de uma variação da STM. Ou então eu a tenho mesmo, só que ela se manifesta esporadicamente.

Koelho disse...

Isso me lembra o dia que meu pai, trabalhando num hospital, deu de cara com o Paulo Francis, e foi todo bobo-alegre pedir um autógrafo: "A caneta tá junto da minha sonda".

Amabilidade é a chave do sucesso.

disse...

Agora estou envolta no cobertor de soft, quentinho e azul-bebê, que é a delícia de ler algo pronto pra você.
Marcar e dias depois sair correndo? Fazer amizade e ser metida a engraçadona, depois perguntar-se "Por que é que eles vêm me encher o saco??!!!".

Reverências para Carlota e sua nova teoria. (clap claps ao fundo)

Coextensivo ao Caos disse...

Adorei, muito criativa. Me identifikei com o Tim maianismo.
É dificil de aturar todos sempre.
Parabens pelo blog linda.

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paula.groff@gmail.com

Fuça aew, lesk