sábado, 8 de março de 2008

She was late for class and she knew it

"Eu preciso fazer algo da minha vida." Eu fico pensando: quantas vezes já não se começaram escritos assim? Cartas, memorandos, textos, notas, mensagens de texto. Auto mensagens. Sempre soa besta. Sempre é ridículo. Não se pode colocar uma informação tão grande numa frase tão curta. Há um limite pro quanto as palavras podem carregar de cada vez. E quando não se respeita isso, soa-se ridículo.

"Eu preciso fazer algo da minha vida". Pff. Grandesbosta. O que te faz pensar que o mundo inteiro tem que parar por você por conta disso? É ridículo por mais de uma dúzia de razões, mas não vou me alongar em todas. Todo mundo sente que precisa fazer "isso de fazer". Logo, a única pessoa que acha que é algo prioritário quando você informa isso a alguém é você. E quando a outra parte, que não tem PORRA nenhuma a ver com isso e que provavelmente também está passando pela mesmíssima coisa não dá a bola e a consideração que você SABE que o fato merece, pronto: começou a palhaçada. Nos sentimos incompreendidos. Não tivemos toda a atenção que merecíamos.

Emo: A gênese, é como isso poderia se chamar.

Não é a toa que são tidos como uns malas. É a maior concentração de gente egoísta por "tribo quadrada". Sensíveis, sim. Só com os próprios problemas. Você não vê um emo solidário, você não vê um emo se sensibilizando com quem quer que seja, você nunca verá um emo com vontade de mudar o mundo.

Você verá um ser cheio de auto-piedade orbitando seu próprio umbiguinho. Emotivo com o próprio cu e rôla.

Engraçado, não era sobre nada disso que eu queria falar. Nem nunca dei muita bola pra questão emo. Acabou surgindo. Eu falava sobre fazeres. Algo da sua existência.

É como Regininha diz: "You can't spend your whole life waitin' for God to kiss you."

Ou como diria Wilhelm Reich, apud Resumo da Ópera do livro da tribo:
"Aprende a reconhecer o fato de que
é a tua doença emocional que te destrói
minuto a minuto, e não qualquer poder exterior.
Há muito que terias suprimido os tiranos
se estivesses vivo e sadio no teu íntimo."

Ou como diria o Diego:
"A Paula está virando uma metralhadora de citações ambulante."

Mas, uma ressalva, já que trouxe outro assunto à baila: não é que eu tenha algo contra emos. Eu tenho algo contra todo mundo. Tenho sempre algo contra meus amigos, o que não muda o apreço que sinto por eles. Tenho sempre algo contra mim, o que não muda o grau de auto-estima que tenho por mim.

Então, se você é emo, não se sinta discriminado. Tenho um longo histórico de falar mal de pessoas como um todo. Não vai ser de mim que você vai extrair o gostinho de se sentir uma exceção.

E você que anda falando por aí, "eu preciso fazer algo da minha vida", saiba que acho isso ridículo, mas te respeito. Se bobear, até te admiro. Mas faça isso longe dos meus ouvidos. Porque eu VOU te dar alguma coisa pra fazer. Minha cabeça FERVILHA de idéias para aplicar em cobaias. E aí você não vai poder mais reclamar, ao menos não comigo. Então pense antes se você quer me dizer que procura. Sarna alheia é o meu forte.

O que não era o que eu pretendia dizer, também. O que eu queria dizer mesmo, é, que caralhos, eu preciso me pôr em movimento. Preciso sair da letargia satisfeita que é a minha vida e preciso saber que as coisas começaram a andar. Que é preciso fazer movimento em direção a acontecer. Esperar cair no colo é uma constante. É preciso romper com isso. E, pra variar, quem sabe por uns tempos, viver. Perseguir algo maior. A linha é tênue que separa o sensato do frouxo, e quando dei por mim, vi que alguém que respeito a tinha cruzado, fiquei tão triste! O melhor que posso fazer é, hm, não fazer o mesmo. Mesmo sabendo que ser frouxo é mais fácil para estar acompanhado, preciso escapar desse niilismo e essa vontade de lidar com a vida como se fosse uma eterna guerra, onde se pula de trincheira em trincheira e atrás de cada uma delas há uma complicação, há um impasse. É claro que há. A vida não é uma florestinha bonita onde se caminha e vão caindo presentinhos em pára-quedinhas conforme se anda. Mas também não é nenhuma trincheira. Em suma, preciso extrair dela a satisfação do percurso. Preciso tornar meus dias memoráveis. Preciso não me sentir ridícula.

Eu preciso fazer algo da minha vida.





Quanto à referência do título: pescou, pescou?

7 comentários:

Daniel Bastos disse...

Eu sou a essência do que é ser emo encarnada, na maior parte das vezes.
Posso dizer que isso é bem merda, do jeitinho que você falou.

Anônimo disse...

Olá, como vai?
Acabo de ler o seu blog e gostei muito. Ri muito do nome, huahauahuahau! Sensacional, vou continuar aparecendo por aqui

VOcê é muito bonita!!

beijão carlota!
Carlos-São Jose dos Campos, SP

Henrique Tonin disse...

Seus posts ficam a cada dia mais livres e mais profundos *_*

Tudo tende a seguir convenções; ainda mais na escrita, que é dominada por poucos. Acho que você também já reparou nisso.

E você escrever coisas maravilhosas e com liberdade :)

"Não vai ser de mim que você vai extrair o gostinho de se sentir uma exceção."

"(...) preciso escapar desse niilismo"

É sério, Paula. Acho que algum escritor-semideus te esqueceu aqui entre nós...

Neto Macedo disse...

Não vou discutir aqui a questão do meu blog ser pior ou não. Eu sei que é. Mas você escreve muito bem. Devia escrever um livro. Não falo do tema, e sim do jeito de escrever, é muito bom! Me ensina? Hahahaha... Brincadeira... ^^

koni-kun disse...

Act of the Apostle II.

Rita Kramer disse...

Errata:
Não há um limite pro quanto as palavras podem carregar de cada vez.

Rita Kramer disse...

EU AMO ESSA PORRA!

Melhor blog, caráleo!

Contato

paula.groff@gmail.com

Fuça aew, lesk