quinta-feira, 3 de abril de 2008

Os cãezinhos dos teclados.

Tô exausta. Acabo de voltar do Rio. Dá pra dizer que o meu Março se resumiu numa febre de escrever e... xingar pessoas no trânsito. Gritar pra pessoas no trânsito. Falar impropérios calmamente pra pessoas no trânsito. Gritar Vá Se Foder, Leão de Judá (?) pra pessoas no trânsito. Explorar reorganizações de palavrões totalmente novas em pessoas no trânsito. Pessoas dirigindo, passando, se pirulitando e bicicletando no trânsito. Todos MEUS alvos. É divertido.

E tenho preenchido cadernos e mais cadernos com textos numa velocidade espantosa. Eu gastaria um dia inteiro só pra ler tudo que escrevi nos últimos dias, e o pouco que releio me faz ficar com cara de "caramba, eu escrevi isso?". Não por ser bom ou ruim, mas porque tô fora de controle e escrevo tanto que não dá pra lembrar do que escrevi. Que vida mais estranha, essa minha. E ainda assim, eu a viveria toda de novo, mesmo que cheia de rompantes e desmemórias.

O foda é digitar. Porra, que preguiça ABSURDA que dá de digitar. Troço chato, esse. Não acompanha a velocidade do meu pensamento e dá uma coceira danada de sair mudando tudo que parecia tão legal antes, no papel. Há quem discorde, e diga que escrever à mão é uma merda e tal. Mas pra mim digitar é que é horrível. Talvez seja porque mantive 100 correspondentes durante uns bons três anos da minha pré-adolescência, o que me fazia escrever uma média de três cartas por dia, que iam de uma nota rápida de uma página de linha espaçada a 10, 12, 15 páginas de saudosos correspondentes empolgados. Adorava, e troco cartas esporádicas até hoje. Meu negócio é escrever à mão.

Ainda não sei porque surtei e joguei todos os correspondentes pro alto, mas suponho que ter ido morar em Cabo Frio foi o motivo. Lugar de doido, aquele. Hoje eu e Cabo Frio nos toleramos, mas já foi muito pior. Os seis meses que passei lá foram um terror. Um lugar de gente esquisita, lésbicas ciumentas de porte físico assustador, mineiras que tomam sol "à ginecológica" ou "moda cardeal" (uma perna em direção a leste, outra pro oeste, e não se enganem, não é um espetáculo bonito) e, é claro, psicopatas. Não há uma PORRA de um lugar que eu vá que estes não me encontrem. Mas o forte de Cabo Frio nem são os psicos, são os malucos. Claro que há uma diferença, noob que está me lendo. Qualquer dia vou fazer um compêndio dos doidos de Cabo Frio. O caso é que o hospício mais próximo de lá é em Rio Bonito, uma cidade a cerca de 100 quilômetros, então os malucos, que parecem ter a tendência a se aglomerar nas cidades de maior porte da região, ficam brisando lá eternamente, sem ter quem os tranque e trate em local adequado. Alguns são malucos funcionais, já outros são desajustados completos mesmo.

Há, por exemplo, uma senhora negra que conseguiu um uniforme e uma vassoura decadente e se passa por varredora de ruas. Ela vê jovens sentados no meio fio e vem varrendo, de mansinho, enquanto a galera dos colégios se reúne esperando os pais. Ela se aproxima, se aproxima, se aproooxiiima, e quando está bem pertinho, BERRA no ouvido dos infelizes da vez canções crentes muito sem nexo. Essa é bem conhecida, e eu mesma já dei uns bons pulos de susto na minha época de segundo ano, quando ainda era adepta dos meio-fios. Já no terceirão me adaptei e fiquei mais esperta, me juntando à turma sádica que fica do outro lado da rua pra rir das criancinhas. Essa maluca tá até hoje nas cercanias do Santa Rosa e do Sagrado. Também tem a velha do turbante, tem um magrelo com apito que cisma que é guarda de trânsito e que fica acenando pros carros passarem quando o sinal tá vermelho, ah, é maluco a perder de conta.

Mas superado Cabo Frio, e com um gancho meio torto pra um assunto que me interessa mais (EU, óbvio, o centro do meu mundinho), fica a resistência a digitar. Chegou num ponto que tenho que salvar os textos que começo a digitar como "CONTINUE, PORRA!.wps" (Sim, eu uso a merda do Works) e títulos assim, mas o mais normal é que fiquem abandonados e jamais vejam a luz da internet.

Talvez um curso que me dê mais velocidade e intimidade com o teclado resolva isso. Mas por enquanto, isso que era pra explicar a pouca produtividade deste blog e ser a introdução prum texto que tô querendo pôr e mais uma vez deixei pra lá, acaba sendo o post. Quer saber? Eu vou é pro msn, ou ler alguma coisa. Quem sabe eu faça alguma aposta do mal com alguém e designe como punição que a pessoa digite todos os meus textos. Ter amigos viciados em apostas futebolísticas pode ser algo interessante. Ou posso perder e ter que lavar pratos até o próximo ano bissexto ou dançar a conga dando rodadinhas.

E antes que a Rita me mate, mulher, era um post no Acaba Vindo, mas tô morta. Juro que pego firme no rapaz surreal depois.

3 comentários:

Crisóstomo, C.S. disse...

É, existe todo um problema em digitar. Mas ó, não quer passar um pouquinho desse descontrole pra mim não? Tô doida pra escrever esses dias e nada sai!

(Quer dizer, algo saiu, estará aí em alguns dias)

Basílio Sgaratti disse...

Marcelo Camelo escaneava textos em seu blogue. Você deveria estudar fazer o mesmo. Mas é preciso boa caligrafia, hã?

Daniel Bastos disse...

Digitar é uma arte. L.E.R e D.O.R.T fazem parte.

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