segunda-feira, 12 de maio de 2008

Diário de bobagens de bordo - do fim pro começo.

Depois de passar dez horas de vôo presa num avião lata de sardinha com dois holandeses na minha frente que não paravam quietos e que iam toda hora no banheiro pra se drogarem, descobri que há todo um ramo de alopragens divertidas com pessoas brisadas. É só aproveitar que elas estão alucinando pra sacaneá-las de modo que pensem que estão numa bad, bad trip.

Mamãe, por exemplo, pegou meu desodorante tipo extintor (caminhoneiro que é caminhoneiro não usa viadagens roll-on) e mandou-lhe um jato demorado na frestinha entre as cadeiras. O holandês brisado número 1, que mais parecia uma árvore tombada na estrada, com as duas pernas estiradas no corredor, falou um "w00000000t" e BUM, apagou. Desodorante pelo visto é droga, gente. Recomendo para fim relaxantes.

Logo depois, quando acordaram do dopamento que induzimos inesperadamente, abri a janelinha pra deixar o sol entrar. Posicionei meu anel de tal forma que a lapidação da pedra refletia altos brilhinhos na cabeça do outro holandês. Pela cara do árvore tombada, deve ter sido a trip mais bisonha que ele já teve na vida, e reparem que estamos falando de um holandês! Ele olhava pros brilhinhos que passavam pelo cabelo ensebado do amigo, sem saber da onde vinham, todo deslumbrado, arregaladíííssimo.

Logo depois lançamos mão da bolsinha de fitoterápicos e jogamos por baixo da cadeira deles um comprimido de colágeno. Assim que eles acharam, ah, foi festa. falaram um monte de bobajada naquela língua deles, não perderam tempo e tomaram, todos contentes. Partiram no meio e cada um tomou metade, gente. Isso é que é miguxagem e companheirismo. Achei muito legal da parte deles. Espero que o colágeno faça algum bem praqueles organismos neerlandeses, de verdade. Tirando os olhos injetados, as tatuagens de um, cuja direção dada pro tatuador deve ter sido algo como "oi eu gosto de kanji e de Veneza e do diabo, mistura tudo aí", e que o outro tava pouco se fodendo se não deixava ninguém passar com a metade do corpanzil estirado no corredor e o fato de que a coca e todas as coisas que eu vi um tirando do tênis faziam com que eles não conseguissem parar quietos dentro do avião e que eles provavelmente iam traficar no meu país, até que os achei bem legais. Se eu tivesse mais pílulas de fitoterápicos, teria continuado jogando no chão pra eles catarem, achando que caiu do estoque deles. Uma pena.

Ah, e antes que alguém ache que eu fiquei louca e fiquei só rindo da situação, uma pequena explicação: Uma coisa é passar dez horas curtindo com a cara dos malucos simplesmente porque não há outra coisa a se fazer. Ou você ri, ou fica muito, muito puto. Escolhi a primeira porque a última coisa que preciso é armar um barraco com dois drogados enormes num recinto fechado a milhares de metros de altitude. É claro que os denunciei na alfândega, exatamente antes de eles passarem no controle de passaporte. Grata.

6 comentários:

Daniel Bastos disse...

Voltou?
Oe! Europizada, agora!

Kramer disse...

AHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHHAHAHHAHAHA

Foda!

Henrique Tonin disse...

Paula, muitas saudades de você e de fazer comentários inúteis no seu blog :)

Rafael Formiga disse...

Eles vão te denunciar pelo uso ou tráfico de fitoterápicos.

Te cuida.

C a m i l a. disse...

AOUHEUAEHUOAEHAUEH
Paulinha só tu mesmo.
ooow quero te ver *-*
vai na praia amanhã?
;*

Clá disse...

Ela voltoooou! (E eu ainda nem fui)
Mulé, preciso falar com você!
Vai ser criativa assim lá longe, viu?
:****

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Fuça aew, lesk