sexta-feira, 15 de agosto de 2008

The Kids Aren't Alright

Foi assim a minha vida toda. Eu saio e as pessoas desandam, é fato. Em 2000, no segundo em que deixei a cidade em que morava, minha toda fofa, linda, timida e culta (ex) melhor amiga pintou o cabelo de loiro e caiu nos bailes funk. Porra.

Já em Buzios foi mais ou menos o contrário, quando me vi construindo novas amizades. Minha mais nova grande amiga lá me parecia muito promissora. Uma livre pensadora com leves delírios de wicca (que me perturbavam, isso é certo, mas relevar é preciso, eu tenho uma pá de defeitos muito maior). Juntas dividíamos a vontade de mudar o mundo, de sermos politizadas, engajadas, interessadas no que se passava ao nosso redor, fazer a diferença. Mandamos vídeos pra Brasília, fomos agraciadas com um seiláoquê do Greenpeace, enchemos nossos pais de orgulho. Ai, num dos meus surtos amigar-não-é-preciso, me desgarrei de todos os meus amigos por um pouco de solidão, e a menina vira o quê? Crente. Porra.

Comecei a conferir os amigos que fui deixando pra trás pelo tempo, começando pelo carrinho de bebê. A menina que nasceu no mesmo hospital que eu, que morava na minha rua, a Laurinha, era a coisa mais linda. Éramos best miguxas. Leitoras vorazes de livrinhos do Pequeno Vampiro, torcíamos o nariz pra bonecas, gostavamos mesmo era de brinquedo de menino. Juntas descobrimos o Atari, e esfaqueamos nossa vida social de bom grado em prol da nerdice. Jogos de tabuleiro vieram, HQs vieram, eu apaixonada pelo Tintin e pelo Lanterna Verde, ela pelo superomão. Brigávamos pelas edições limitadas do Garfield, Lucky Luke e Mortadelo e Salaminho eram nossas melhores companhias.

Encontrei com ela no Rio Sul tem uns dois anos. A bonequinha loira de origem nordica portava cabelo roxo, trajava meias arrastão e tinha um piercing de boi bandido no nariz. Porra.

Com o choque, fui passando outros em revista: Drogado. Grávida. Puta. Psicotica (ah, essas foram muitas!), cleptomaníaco, emo. E eu fico me perguntando, sera que essas pessoas estavam a caminho disso assim o tempo todo, e eu que não via? Me parece que não. Então, o quê há comigo? Uma nova versão de uma maldição de Midas, so que nesse caso apodreço as pessoas depois que elas passam? Não é possivel! Estou deveras perturbada porque o que era uma das poucas pessoas que se salvavam por terem alguma noção, agora também caiu por terra.

Deleto alguém que costumava respeitar, e a pessoa faz um... BuddyPoke. Porra!

Fizesse um perfil bitchindie no MySpace, um Twitter, um Flogão.

Sei que é muita pretensão da minha parte, e que eu também decaí bastante, mas é uma série de coincidências muito assutadoras pra que eu deixasse passar despercebida.

Então, a vocês, gatos pingados leitores da bagaça, fica o aviso. Cuidado. Se isso for verdade, um de vocês pode ser o proximo.

7 comentários:

Daniel Bastos disse...

Eu tenho Twitter. PERDONAME.
x(

Rafael Formiga disse...

Paula, casa comigo e nunca se divorcia. Não quero apodrecer.

Clá disse...

Bom, eu já te contei aquele segredinho (lembra?) daquele piercing que queria fazer.

Fora isso, tô começando a pensar no que posso virar depois de Campos do Jordão...

(Mas tenho uma teoria sobre isso, consulte-me mais tarde para maiores detalhes. Uma não, duas.)

Rafael Formiga disse...

BASTOS TEM UM BUDDYPOKE!!!

Daniel Bastos disse...

EU TENHO UM BÁRIPÔUQ!

xO

Tiago Faller disse...

HOHO! Empolgay com a história e queria ler mais sobre a desgraça alheia. Pena que acabou.

Kramer disse...

Acho que tá difícil piorar, então, chega mais AMICA.

Contato

paula.groff@gmail.com

Fuça aew, lesk