sábado, 14 de fevereiro de 2009

Ora, Ludvik, você não acredita em nada, você não sabe perdoar. Você vive obcecado por essa reunião plenária em que mãos se levantaram, unânimes, contra você, aprovando a ruína de sua vida. Você nunca lhes perdoou isso. E não apenas a cada um deles. Eles eram uma centena, isto é, um número capaz de representar um micromodelo da humanidade. Você jamais perdoou o gênero humano. Desde então, você lhe retirou sua confiança e dedicou-lhe sua raiva. Mesmo que eu possa compreendê-lo, isso não muda nada no fato de que tal raiva dirigida aos homens é aterradora e pecaminosa. Ela transformou-se na sua maldição. Pois viver num mundo em que nada é perdoado, em que a redenção é recusada, é como viver no Inferno. Você vive no inferno, Ludvik, e eu tenho pena de você.

- Kundera, formatação mantida.

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