quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Liga o random!

Apertei o enter sem querer, ainda estou escrevendo essa merda. Leitores de feeds, morram relevem.

Ok, pronto.

Dois cds que me deixaram besta hoje:

1)Richard Hawley - Coles Corner

Eu só não sei como nunca ouvi falar desse cara. Como ninguém parece ter ouvido falar desse cara. Ele não é nenhum som bisonhamente experimental, ou algum finlandês pegando carona na onda indie onde qualquer merda tá valendo, a era onde não é preciso ouvido musical, e sim estômago musical, do tipo "quanto mais você agüenta, mais indie você se torna". Não é nada disso. É só alguém que, por alguma razão esdrúxula (ou completamente sem razão) parece estar passando despercebido. Não sei, talvez se ele tivesse um desses nomes caralhastróficos para dar a uma criança, mas ótimo para ser músico ou político - já reparou que esses últimos têm nomes escrotíssimos? - ele estivesse muito mais em evidência, hoje. E o sujeito nem é novo, tem bastante estrada e está em atividade.

Voz do caralho, faixas maravilhosas. Um Johnny Cash mais doce, um Roy Orbison menos meloso, um M. Ward menos maluco. Um meio termo dos três incrivelmente bom, e ainda assim com um estilo todo próprio. Então clica ali no título do álbum se você acredita em mim, e comprove por você mesmo.

e
2) Gabo - Canciones que un hombre no deberia cantar

Estou APAIXONADA por esse músico, que canta em - irc - espanhol, pois é de nacionalidade... argentina. É.

Bizarro pra você? Então ouve só. O título do álbum já diz bastante coisa, e o cd segue fiel ao nome. A primeira faixa que ouvi foi el amigo de mi padre, que conta a história do amante do pai do cara. É.

E o Gabo... saiu de uma banda de heavy-metal argentino chamada... PORCO. É.

A essa altura, qualquer um achará que eu estou maluca.

Mas espere só até a voz dele te embalar, antes de soterrá-lo embaixo de uma avalanche. É a primeira vez em muitos anos que algum músico de língua espanhola me conquista assim. Apesar do nariz torcido para a Argentina. Apesar do horror a um ex-metaleiro. É. O sujeito é muito, mas muito bom.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

O motivo profundo de sua bondade não é o amor, é o ódio! O ódio por aqueles que o prejudicaram em outra época! (...) Sua alma ignora o perdão. Você deseja a vingança. Você identifica aqueles que lhe fizeram mal no passado com aqueles que hoje fazem mal aos outros, e você se vinga. É, você se vinga! Sinto isso. Sinto isso em cada uma de suas palavras. Mas o que produz o ódio, a não ser o ódio como revanche e uma série de revanches? Você vive no inferno, Ludvik, repito, no inferno, e tenho pena de você.

M. Kundera.
Ora, Ludvik, você não acredita em nada, você não sabe perdoar. Você vive obcecado por essa reunião plenária em que mãos se levantaram, unânimes, contra você, aprovando a ruína de sua vida. Você nunca lhes perdoou isso. E não apenas a cada um deles. Eles eram uma centena, isto é, um número capaz de representar um micromodelo da humanidade. Você jamais perdoou o gênero humano. Desde então, você lhe retirou sua confiança e dedicou-lhe sua raiva. Mesmo que eu possa compreendê-lo, isso não muda nada no fato de que tal raiva dirigida aos homens é aterradora e pecaminosa. Ela transformou-se na sua maldição. Pois viver num mundo em que nada é perdoado, em que a redenção é recusada, é como viver no Inferno. Você vive no inferno, Ludvik, e eu tenho pena de você.

- Kundera, formatação mantida.

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paula.groff@gmail.com

Fuça aew, lesk