quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sobre Peter Camenzind

... e conforme eu evitava ler seus livros, a razão disso se acentuava e ganhava formas e contornos: ele evidenciava a sensação de claustrofobia que eu tinha de viver em sociedade. Ele me lembrava de tudo que eu carregava em meu íntimo. A crença de que apenas a solidão era plena, e só existia satisfação a longo prazo a sós, entre a natureza.

Eu o evitava, portanto. Eu me vetara da verdadeira felicidade do ser porque precisava da convivência social, por enquanto. E procurava amortecer meu desejo selvagem por distancia de tudo quanto fosse humano, de todos os meus conterrâneos. Podia acalentar meus sonhos de solidão em silêncio, o bastante para não mata-los e com eles toda a minha esperança de uma existência aprazível mas verdadeira, mas não o suficiente para que eles ganhassem força e irrompessem a casca que eu me esforcava em manter. Meus 21 anos carregavam uma resolução forte e determinada, cujas feridas resultadas eu esperava que fossem curadas um dia, o dia em que eu teria minha carta de alforria social; nada para provar, nada para dizer.

E o silêncio me abraçaria, finalmente.

03/02/2010

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