sábado, 5 de março de 2011

Meus amigos, meus discos e livros

Me dá um alívio estar longe dessa realidade toda de internet. Venho, checo meus e-mails, me assusto com tanto e-mail pra responder, respondo um ou dois, dez minutos. Abro o Facebook, leio mensagens, aceito ou recuso um ou dois nêgo, mais dez minutos.

Vinte minutos por semana. 1h20 por mês. Menos de quinze horas ao ano. E não estou menos nerd. Não estou menos em contato com outras pessoas. Não estou menos feliz. Não estou com a sensação de estar me faltando uma perna. Pelo contrário.

Parece que, ao mesmo tempo que a internet abriu um chumaço de possibilidades, retirou a única que a gente tinha antes: passar sem ela. Quando comecei a ver as coisas que eu dizia twittadas quando chegava em casa, ou pior, ter que interromper boas conversas porque as pessoas com quem estava conversando faziam pausas regulares para postar o que estava sendo dito, vi como é fácil tornar a internet o “ querido espelho meu”, uma torrente de egos onde não se lê ninguém além de si mesmo, percebi que era hora de reavaliar o que está acontecendo. O twitter precipitou todo o meu estupor ao concluir como as pessoas estão equivocadas a respeito do uso da tecnologia disponível a elas , mas eu já estava de saco cheio muito antes.

Tava conversando com o namorado sobre isso no outro dia. Desde que ele se mudou pra cá, usa a internet mais ou menos nessa mesma vibe. Deixa baixando os filmes que a gente quer ver (já que a internet dele é melhor que a minha), os jogos, as discografias, os livros que queremos. E nenhum dos dois tá sentindo falta das horas e horas passadas online, como nós dois fazíamos. Parece que o nosso estilo de pensar está muito mais adequado ao nosso modo de encarar a vida, ao nosso trabalho, ou seja, muito mais artesanal. Ensinar uma outra língua é um trabalho que envolve contato direto. É manual, verbal, olho-no-olho, mão na massa, suadeira. É um trabalho vivo, que se desenvolve ali na sua frente, e pra ser bem feito não pode ter muito intermediário, de preferência nada na frente. É de ser humano pra ser humano, pronto cabô.

Nesse quesito, tenho mesmo a sensação de que estou ficando pra trás. Quando vejo uma garota de 11 anos acionando a câmera do celular da amiga pra fazer um vídeo da reação dessa amiga ao ver que o celular dela quebrou, e a outra fingindo para a câmera, gritando “nooossa, o que você fez com o seu celular??”, vejo que esse tempo me ultrapassou. A tecnologia passou a engolfar tudo ao nosso redor e no entanto, não tenho visto uso prático pra ela. Pra mim, virou apenas uma válvula de escape pra bobeira inerente ao ser humano. A internet é o estardalhaço da nossa era. E eu concluí que prefiro ficar quietinha aqui, no meu canto, tentando descobrir o quanto disso eu realmente preciso. Fico com um ou dois tweets por ano. Com uns poucos e-mails de quem importa respondidos. Com uma ou outra encomenda online. E bem.

Prefiro não ter tempo pra pensar antes de digitar, prefiro não ter um perfil só com minhas fotos mais bonitas. Prefiro que as pessoas possam ouvir o som da minha voz da qual não gosto. Essa falta de recursos me faz mais honesta. Me faz mais humana. E acho que isso compensa os defeitos que eu poderia atenuar estando atrás de um computador.

Um comentário:

Duda de Oliveira disse...

Menina, lembra de mim? Cadê você, como tem passado?

Tava ali relendo posts e comentários no meu blog abandonado, já que consegui lembrar a senha. E vi você. Deu saudade, hahaha.

Acho que meu facebook é com /doodadeoliveira no final. Acho, não sei, aqui na empresa não abre essas putaria.

Bom saber que tu tá viva.

Duda, da Animadores/Panela/whatever

Contato

paula.groff@gmail.com

Fuça aew, lesk