Eu o evitava, portanto. Eu me vetara da verdadeira felicidade do ser porque precisava da convivência social, por enquanto. E procurava amortecer meu desejo selvagem por distancia de tudo quanto fosse humano, de todos os meus conterrâneos. Podia acalentar meus sonhos de solidão em silêncio, o bastante para não mata-los e com eles toda a minha esperança de uma existência aprazível mas verdadeira, mas não o suficiente para que eles ganhassem força e irrompessem a casca que eu me esforcava em manter. Meus 21 anos carregavam uma resolução forte e determinada, cujas feridas resultadas eu esperava que fossem curadas um dia, o dia em que eu teria minha carta de alforria social; nada para provar, nada para dizer.
E o silêncio me abraçaria, finalmente.
03/02/2010