Ó Allah,
se me consideras
escravo desobediente,
rebelado,
onde estão,
dize-me,
Tua benevolência
e Teu perdão?
Será duro e negro meu coração,
pérfida minh'alma:
mas onde se encontra
toda essa Tua pureza,
em que espaços fulgirão
as luzes da Tua bondade?
Se me acenas
com as delícias do Paraíso
como prêmio
de uma indigna submissão,
será isso uma barganha suspeita
que mercadores ávidos
gostariam de fazer.
Que diferença entre Ti e eles
haveria então?
Assim, desconcertado e confuso,
como poderei exaltar
a Tua compreensão,
a Tua magnificência,
a Tua divindade?
-Rubáiyát, Omar Khayyám
sábado, 24 de abril de 2010
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