sexta-feira, 20 de maio de 2011

“O amor entre nós dois quase não teve tempo de acontecer.

Eu choro como uma loba vendo o seu filhote numa armadilha,

Pronta para lamber todas as suas feridas cor de ferrugem,

Para enxertar a neblina dos campos onde estiver lhe faltando a pele.

Mas você já morreu, encurralado em Paris,

e não pode ser resgatado, inteiro ou aos pedaços.

Adeus, meu filhote tímido e selvagem, agora morto.

Você sempre será mais querido para mim do que todos os que eu domestiquei

Mas não há ninguém que não seja encurralado, e, em todo o mundo, os países –

menores, maiores, mais leves, mais rígidos – são armadilhas.

Adeus, meu filhote, para tantos um lobo selvagem.

Pode haver alguns com menos dentes, mas não tão gentis, nem tão puros,

E, acima dos lobos e dos cães que brigam sobre o teu túmulo, eu uivo

não como uma loba, mas apenas como uma cadela massacrada.”

- Nina Korzinkina

Estava tentando lembrar dessa poesia há um tempo, até que lembrei de um caderno onde eu as transcrevia. Ela é estranha, esquisita, era e é uma das minhas favoritas, e a neblina dela está na minha vida há muitos anos. Amanhã finalmente vou à exposição do Pessoa, e acho que a aproximação da data é que está me fazendo ficar tão ligada à poesia de novo.

Sentimentalismos de lado, as mulheres fortes ainda são das poucas que valem a pena serem ouvidas na literatura, e as russas então, nem se fala.

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paula.groff@gmail.com

Fuça aew, lesk